7 transações financeiras que chamam atenção da Receita Federal


O avanço da digitalização financeira trouxe consigo um sistema de vigilância tributária cada vez mais sofisticado. Embora o Pix seja o centro das atenções populares, o fisco brasileiro opera um ecossistema de rastreamento que vai muito além dos pagamentos instantâneos. 

O foco da Receita Federal em 2026 recai sobre a compatibilidade entre o estilo de vida e a renda declarada, utilizando relatórios consolidados enviados por instituições financeiras e plataformas digitais.

Para o empreendedor e o profissional contábil, entender o alcance desse “pente-fino” é vital para a saúde do negócio e a preservação do patrimônio. O cruzamento de dados automatizado identifica inconsistências em segundos, tornando a omissão de receitas uma estratégia de alto risco.

7 operações que estão no radar do Fisco

O monitoramento atual baseia-se em obrigações acessórias que vinculam diferentes agentes econômicos. Confira os pontos de maior atenção:

1. Ativos Digitais e Criptomoedas

A posse e a negociação de criptoativos, como o Bitcoin, devem ser informadas obrigatoriamente. Corretoras nacionais e estrangeiras reportam as movimentações, permitindo que a Receita rastreie ganhos de capital que antes ficavam fora do radar convencional.

2. Comércio em Marketplaces

Vendedores que operam em grandes plataformas de e-commerce têm suas receitas informadas diretamente pelas empresas intermediárias ao Fisco. Para quem empreende digitalmente, a formalização e o registro correto dessas vendas são indispensáveis para evitar autuações por omissão de receita.

3. Recebíveis de Aluguéis

O recebimento de aluguel é um rendimento tributável clássico. A fiscalização cruza os dados de quem paga (especialmente se o locatário for pessoa jurídica) com os de quem recebe. Divergências nesses valores são um dos principais motivos de retenção na malha fina.

4. Relatório e-Financeira

Bancos e corretoras enviam anualmente a Declaração e-Financeira. Este documento contém um raio-X das contas: saldos, rendimentos em poupança, aplicações em fundos e resgates de ações. Não há movimentação bancária relevante que escape ao conhecimento do Fisco.

5. Despesas com Cartão de Crédito

A Receita monitora a incompatibilidade. Gastos mensais elevados no cartão que superam a renda declarada servem como um alerta automático de que pode haver fontes de renda não tributadas financiando aquele padrão de consumo.

6. Transações de Bens de Alto Valor

A alienação de imóveis e veículos é comunicada ao Fisco por cartórios e departamentos de trânsito. O lucro obtido na venda (ganho de capital) deve ser apurado e o imposto correspondente recolhido no prazo legal, sob pena de multas pesadas.

7. Evolução Patrimonial por Doações e Heranças

Embora isentos de Imposto de Renda Federal, esses valores são tributados por impostos estaduais (ITCMD). A Receita Federal cruza informações com as Secretarias de Fazenda estaduais para garantir que o aumento de patrimônio de um contribuinte esteja devidamente lastreado.

Qual o papel da contabilidade?

A transparência financeira tornou-se a regra, não a exceção. Para evitar problemas com o Fisco, o empreendedor deve manter uma escrituração contábil rigorosa, garantindo que toda entrada de recurso tenha sua origem comprovada. 

A consultoria contábil preventiva torna-se, assim, uma ferramenta estratégica para mitigar riscos e assegurar que a expansão do negócio ocorra dentro da legalidade tributária.

 

Publicado pelo Jornal Contábil. Imagem: Reprodução Sebrae