Cartão de crédito x Pix: saiba o que vale mais a pena
Pagar à vista no Pix ou parcelar sem juros no cartão de crédito? Ter essas duas opções abre espaço para economizar. Mas a decisão exige um cálculo simples.
Em uma compra de R$ 8.000, por exemplo, é preciso considerar dois fatores principais: o desconto oferecido no pagamento à vista e o retorno gerado pelo seu cartão de crédito. Além disso, com a taxa de juros alta, é necessário saber qual seria o retorno desse dinheiro investido em uma renda fixa.
De forma geral, um cartão mediano costuma entregar algo entre 2% e 2,5% de retorno nas compras, seja em milhas ou pontos, dependendo do programa.
Partindo dessa lógica, a regra é direta: se o desconto no Pix for maior do que esse percentual, poderia ser interessante pagar à vista. Caso contrário, você abriria mão de um benefício relevante ao não usar o cartão.
Quanto o cartão pode gerar
Na mesma compra de R$ 8.000, um cartão que gera 2 pontos por dólar gasto acumularia cerca de 3.100 pontos. Isso representa algo próximo de R$ 90 em valor.
Essa pontuação, no entanto, pode ser ampliada em mais de 100% em transferências bonificadas para programas de milhas. Falaremos disso aqui na coluna muito em breve.
Mas há um segundo ganho possível, menos intuitivo.
Quando parcelar pode render dinheiro
Se não houver desconto no Pix, o parcelamento sem juros abre espaço para uma estratégia simples: manter o dinheiro investido enquanto as parcelas são pagas.
Considere um CDB com liquidez diária, que hoje rende cerca de 1,14% ao mês. Ao fazer a compra no melhor dia do cartão, você ainda ganha até 40 dias até o vencimento da primeira fatura.
Na prática, o funcionamento é o seguinte: você mantém os R$ 8.000 investidos e, a cada mês, retira apenas o valor da parcela (R$ 800). O restante continua rendendo.
Mas atenção! Isso exige disciplina. Não adianta reservar o valor e, no mês seguinte, usar esse dinheiro para outra finalidade.
Veja como esse saldo evolui ao longo do parcelamento:
| Mês | Valor aplicado | Rendimento bruto | Desconto de IR | Pagamento da parcela | Saldo final |
| 1 | R$ 8.000,00 | R$ 91,20 | R$ 20,52 | R$ 800 | R$ 7.270,68 |
| 2 | R$ 7.270,68 | R$ 82,88 | R$ 18,65 | R$ 800 | R$ 6.534,91 |
| 3 | R$ 6.534,91 | R$ 74,50 | R$ 16,76 | R$ 800 | R$ 5.792,65 |
| 4 | R$ 5.792,65 | R$ 66,03 | R$ 14,86 | R$ 800 | R$ 5.043,82 |
| 5 | R$ 5.043,82 | R$ 57,50 | R$ 12,94 | R$ 800 | R$ 4.288,38 |
| 6 | R$ 4.288,38 | R$ 48,88 | R$ 11,00 | R$ 800 | R$ 3.526,26 |
| 7 | R$ 3.526,26 | R$ 40,20 | R$ 8,04 | R$ 800 | R$ 2.758,42 |
| 8 | R$ 2.758,42 | R$ 31,44 | R$ 6,29 | R$ 800 | R$ 1.983,57 |
| 9 | R$ 1.983,57 | R$ 22,61 | R$ 4,52 | R$ 800 | R$ 1.201,66 |
| 10 | R$ 1.201,66 | R$ 13,70 | R$ 2,74 | R$ 800 | R$ 412,62 |
Ao final de dez meses, mesmo após o pagamento integral do produto, o investimento ainda terá gerado mais de R$ 400 líquidos.
Somando esse valor aos R$ 90 equivalentes aos pontos acumulados, o ganho total da operação chega a aproximadamente R$ 502,62.
Na prática, é como se o produto de R$ 8.000 tivesse custado R$ 7.497,38.
Quando o Pix vale mais a pena
Retomando a decisão inicial: para que o pagamento à vista seja mais vantajoso nesse cenário, o desconto oferecido teria que superar esse ganho. Ou seja, mais de 6,3%.
Abaixo disso, o parcelamento, desde que bem utilizado, tende a ser mais eficiente do ponto de vista financeiro. O problema não é o cartão de crédito, mas o uso que se faz dele. O risco está em tratá-lo como uma extensão da renda, utilizando o limite para comprar o que ainda não cabe no orçamento.
Fonte: Economia iG. Imagem: Olhar Digital
