Golpes aumentam na reta final de envio das declarações do imposto de renda


Com o prazo final da declaração do Imposto de Renda 2026 marcado para 29 de maio, os golpes contra contribuintes ficaram ainda mais frequentes nas últimas semanas.

O período de entrega começou em março e, desde então, já foram identificados ao menos 120 sites falsos relacionados ao IRPF, segundo levantamento da empresa de cibersegurança Kaspersky. 

O número quase dobrou em comparação com os 61 registros feitos no início do período de declaração, em março. Os dados mostram que a atuação dos criminosos cresce conforme o prazo final se aproxima.

Aproveitando a correria dos contribuintes, o medo de  cair na malha fina e a expectativa pela restituição, golpistas usam tecnologia e engenharia social para roubar dados pessoais e bancários.

Para aplicar as fraudes, os criminosos costumam imitar órgãos oficiais, criar mensagens alarmistas e até criar páginas praticamente idênticas às da Receita Federal. O objetivo é fazer a vítima clicar em links suspeitos, baixar arquivos maliciosos ou realizar pagamentos indevidos.

Segundo a Kaspersky, os golpes geralmente começam por e-mails, SMS ou mensagens em aplicativos que se passam por comunicados oficiais da Receita Federal.

Os criminosos alegam pendências na declaração, irregularidades no CPF ou problemas relacionados à restituição para pressionar o contribuinte a agir rapidamente.

Ao acessar os links enviados, a vítima é direcionada para páginas falsas que imitam sistemas do governo. Nessas plataformas, os usuários acabam informando dados pessoais, senhas da conta gov.br e até realizando pagamentos via Pix ou boleto sob o pretexto de regularizar a situação fiscal.

Com menos tempo para resolver pendências, muitos contribuintes acabam ficando mais vulneráveis às mensagens falsas.

O principal interesse dos criminosos é obter acesso a informações sensíveis. Entre os principais alvos está a conta gov.br, que reúne dados pessoais e permite acesso a diversos serviços públicos.

Caso perca o controle da conta pode te causar prejuízos financeiros e também problemas burocráticos.

Principais golpes do Imposto de Renda

Golpe da malha fina

Nesse tipo de fraude, a vítima recebe mensagens informando supostos erros graves na declaração.

O aviso costuma vir acompanhado de links para “regularizar a situação”. Ao clicar, o contribuinte pode baixar vírus ou informar dados bancários e senhas da conta gov.br em páginas falsas.

A Receita Federal não envia links para correção de erros por mensagens.

Golpe da restituição

Criminosos também prometem antecipar a restituição do Imposto de Renda mediante pagamento de taxas via Pix, boleto ou transferência.

Em algumas situações, os golpistas alegam cobrança de “taxa de liberação” ou oferecem falsa intermediação para agilizar o pagamento.

A Receita Federal não cobra nenhum valor para liberar restituições.

Sites e aplicativos falsos

Outro golpe frequente envolve páginas falsas que imitam o portal gov.br e o site da Receita Federal.

Muitos desses links aparecem até como anúncios em mecanismos de busca. Ao baixar programas por esses endereços, a vítima pode instalar vírus no dispositivo ou entregar dados sensíveis aos criminosos.

Golpe por correspondência

As fraudes também acontecem por cartas físicas enviadas para contribuintes.

Os documentos usam logomarcas semelhantes às oficiais e costumam trazer QR Codes para pagamentos imediatos, além de promessas de descontos ou ameaças de bloqueio do CPF.

Apesar de enviar comunicações oficiais, a Receita Federal não exige pagamentos via Pix por cartas.

Como identificar uma tentativa de golpe?

Alguns sinais podem ajudar o contribuinte a reconhecer tentativas de fraude:

  • mensagens com tom urgente ou ameaçador;
  • links suspeitos ou encurtados;
  • pedidos de senha da conta gov.br;
  • erros de português e formatação fora do padrão;
  • contatos feitos por WhatsApp ou redes sociais;
  • promessas de acelerar restituição ou resolver malha fina;
  • cobranças inesperadas para regularização.

A orientação é simples: em caso de dúvida, não clique em links, não faça pagamentos e consulte diretamente os canais oficiais da Receita Federal.

Como se proteger

Segue algumas medidas para reduzir os riscos:

acessar apenas sites oficiais do governo;
ativar a autenticação em dois fatores da conta gov.br;
desconfiar de promessas de facilidades;
conferir os dados do destinatário antes de realizar pagamentos;
consultar pendências diretamente no portal e-CAC.

Caiu em um golpe? Saiba o que fazer

Quem percebeu que caiu em uma fraude deve agir rapidamente.

A recomendação é entrar em contato com o banco para bloquear cartões e acessos, registrar um boletim de ocorrência e monitorar o CPF para evitar empréstimos ou compras indevidas em nome da vítima.


Fonte: Portal iG Economia. Imagem: O Especialista - Banco Safra