Imposto Seletivo exigirá planejamento tributário antecipado de bares e restaurantes


A implementação do Imposto Seletivo (IS), previsto na Reforma Tributária para entrar em vigor em 2027, já acende um alerta entre empresários e profissionais da Contabilidade que atuam no setor de bares e restaurantes. Conhecido popularmente como “Imposto do Pecado”, o novo tributo incidirá sobre produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, incluindo bebidas alcoólicas e bebidas açucaradas.

Embora o segmento de alimentação tenha sido contemplado com tratamento tributário diferenciado na reforma, por meio da redução de 40% das alíquotas da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), os produtos sujeitos ao Imposto Seletivo não serão beneficiados por esse regime.

Segundo o contador e consultor tributário Matheus Lopes, CEO da Matheus Contador Gestão Empresarial, a mudança exigirá uma revisão profunda das estratégias financeiras e operacionais das empresas.

“O Imposto Seletivo será recolhido uma única vez na cadeia econômica, diretamente pelo fabricante ou distribuidor. No entanto, seus efeitos serão sentidos por toda a cadeia de consumo. Para bares e restaurantes, o desafio estará em administrar o aumento dos custos sem comprometer a competitividade e a rentabilidade do negócio”, afirma.

Revisão de processos e gestão tributária

Na avaliação do especialista, o impacto da nova tributação vai além do aumento dos preços de determinados produtos. As empresas precisarão revisar contratos com fornecedores, adequar sistemas de gestão e acompanhar com maior rigor a composição tributária dos itens comercializados.

O acompanhamento detalhado das mercadorias sujeitas ao Imposto Seletivo também deverá ganhar espaço nas rotinas administrativas e contábeis, exigindo maior integração entre as áreas fiscal, financeira e operacional.

“O momento é de planejamento. As empresas precisam entender quais produtos do seu portfólio serão impactados, avaliar alternativas e projetar cenários para os próximos anos. A atuação preventiva da Contabilidade será fundamental nesse processo”, destaca Lopes.

Oportunidades de adaptação

Entre as alternativas para minimizar os impactos da nova tributação, o especialista aponta a ampliação da oferta de produtos preparados no próprio estabelecimento.

De acordo com ele, bebidas não alcoólicas produzidas internamente, como sucos naturais, chás artesanais e outras opções elaboradas pelo restaurante, poderão representar uma estratégia importante para preservação das margens de lucro.

Além da adequação tributária, a medida pode contribuir para a diversificação do cardápio e para a oferta de produtos com maior valor agregado ao consumidor.

Papel estratégico da Contabilidade

Com a entrada gradual do novo sistema tributário e a convivência entre regras antigas e novas até 2033, o acompanhamento técnico torna-se ainda mais relevante para as empresas do setor.

Para Matheus Lopes, os empresários não devem esperar a chegada de 2027 para iniciar os ajustes necessários.

“O planejamento tributário precisa começar agora. É fundamental mapear o impacto potencial do Imposto Seletivo sobre o faturamento, revisar estratégias de precificação e preparar a empresa para um cenário de maior complexidade fiscal. Nesse contexto, a Contabilidade assume um papel cada vez mais consultivo e estratégico”, conclui.

 

Da Redação do Portal Dedução. Imagem ilustrativa