Receita regulamenta o uso de IA para fiscalização; entenda
A Receita Federal regulamentou o uso de inteligência artificial para reforçar a fiscalização de brasileiros e empresas. Ela será utilizada para cruzar um grande volume de informações fiscais, identificar possíveis irregularidades com rapidez e auxiliar os auditores na análise dos casos.
Na prática, o método irá ampliar capacidade do Fisco de analisar dados que já estão legalmente nos sistemas da Receita . Entre eles estão declarações do Imposto de Renda, informações de instituições financeiras, empresas, cartórios, notas fiscais, patrimônio, consumo e movimentações financeiras.
A medida não cria um novo imposto nem uma nova obrigação para os contribuintes. A mudança está na forma como essas informações passam a ser analisadas. Com o apoio da tecnologia o órgão consegue visualizar milhões de dados em menor tempo e identificar situações incompatíveis com a renda declarada.
Como a inteligência artificial será utilizada?
A Política de Inteligência Artificial da Receita Federal foi publicada em fevereiro de 2026 e define como poderá ser utilizada em atividades internas, como fiscalização, arrecadação, gestão de riscos e análise de dados.
Com a regulamentação, a Receita passa a contar com sistemas capazes de identificar padrões suspeitos em meio a milhões de informações. Dessa forma, os auditores fiscais conseguem concentrar as análises em contribuintes e empresas que apresentam maior risco de informações irregulares.
O órgão avalia todos os dados e, quando apresentar diferentes informações, o contribuinte ou a empresa podem entrar no radar da fiscalização.
O que a Receita pode identificar?
- Renda incompatível com o patrimônio;
- Gastos acima dos rendimentos informados;
- Omissão de bens;
- Divergências em documentos fiscais.
O sistema também auxilia na identificação de possíveis irregularidades em notas fiscais, declarações obrigatórias, informações enviadas por empresas e movimentações financeiras.
Um exemplo é quando o contribuinte declara uma renda baixa, mas mantém um padrão de vida superior ao que informou à Receita inicialmente. Nesses casos, o órgão pode cruzar diferentes informações para verificar se há indícios de omissão de renda ou sonegação do imposto.
Nas empresas, a tecnologia também poderá apontar possíveis problemas em escriturações fiscais, uso indevido de créditos tributários, benefícios fiscais, notas fiscais e declarações enviadas ao Fisco.
Receita Federal vai fiscalizar o uso do Pix?
A transferência pelo Pix não é motivo para fiscalização. O que pode chamar a atenção do Fisco são movimentações incompatíveis com a renda e o patrimônio declarados.
A regulamentação da inteligência artificial acontece em um momento de forte atuação da Receita Federal. Segundo o órgão, as autuações realizadas em 2025 somaram R$ 233 bilhões.
O valor representa o total das irregularidades identificadas pelo Fisco e ajuda a explicar o investimento em ferramentas capazes de acelerar o cruzamento de informações e tornar a fiscalização mais eficiente.
Com a nova tecnologia, a Receita consegue analisar um volume muito maior de dados em menos tempo, facilitando a identificação de contribuintes e empresas com maior risco fiscal.
Fonte: Último Segundo Portal iG/Economia. Imagem: Shutterstock
