Dívidas em recorde assombram as famílias brasileiras

O Brasil atingiu, em 2026, o maior índice de endividamento das famílias desde o início da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Em abril, 80,9% das famílias brasileiras declararam possuir algum tipo de dívida, segundo o levantamento feito pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Esse índice é impulsionado pela alta taxa de juros, pelo crescimento do uso do crédito rotativo, pela pressão do custo de vida e pelo avanço das apostas online (bets) sobre o orçamento doméstico. O aumento do comprometimento da renda das famílias também acendeu um alerta sobre os impactos econômicos e sociais do superendividamento no país.

Diante do cenário, especialistas apontam que o problema vai além do consumo e já afeta diretamente o crescimento econômico, o mercado de trabalho e a capacidade de investimento das famílias brasileiras. Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional discute medidas para ampliar a proteção aos consumidores endividados e fortalecer programas de renegociação, como o Novo Desenrola Brasil, relançado pelo governo federal em maio deste ano (MP 1.355/2026).

O mês de abril de 2026 registrou um marco crítico para as finanças domésticas no Brasil, atingindo o recorde histórico de 80,9% de famílias endividadas. Este foi o quarto mês consecutivo de alta na série da Peic, superando significativamente os patamares registrados no mesmo período entre 2022, quando a pesquisa passou a fazer o boletim mensal, e 2025.

Embora o número total de endividados tenha crescido, a inadimplência apresentou uma relativa estabilidade na margem, com 29,7% das famílias possuindo contas em atraso, comparado aos 29,1% de abril do ano anterior. No entanto, um dado preocupante é que 12,3% dessas famílias declararam que não terão condições de quitar suas dívidas.

O cenário de endividamento recorde registrado no Brasil em abril de 2026 é acompanhado por um custo de crédito elevado. As diferentes modalidades de taxas de juros revelam a profundidade da pressão sobre o orçamento doméstico.

 

Com informações da Agência Senado