Oportunidades para contadores na recuperação judicial é tema de podcast


A recuperação judicial tem se consolidado como uma área estratégica e promissora para a atuação dos profissionais da contabilidade. Esse foi um dos principais temas abordados no episódio 19 do podcast Saber Contábil em Movimento, que recebeu como convidado José Martonio Alves Coelho, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) nas gestões 2004-2005 e 2014-2017 e acadêmico da Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon). Contador, advogado e administrador judicial, ele explicou que, embora o processo seja conduzido pelo Poder Judiciário, seu êxito depende diretamente de informações contábeis que subsidiam as decisões dos magistrados e permitem avaliar a viabilidade financeira das empresas.

Ao longo da entrevista, Martonio destacou que a recuperação judicial representa um segmento promissor para contadores que desejam ampliar sua atuação em um mercado altamente especializado.

Ao explicar como o profissional contábil pode ingressar nesse segmento, Martonio afirmou que, além do conhecimento técnico, é indispensável dominar a Lei n.º 11.101/2005, compreender a análise de demonstrações contábeis específicas, interpretar fluxos de caixa projetados e manter-se atualizado sobre a legislação. Também ressaltou que o contador pode exercer a função de administrador judicial, desde que seja nomeado pelo magistrado responsável pelo processo. Para isso, é fundamental construir um histórico de credibilidade, manter cadastro junto aos tribunais e demonstrar capacidade técnica para desempenhar a atividade.

Durante a conversa, o contador explicou que a atuação do administrador judicial difere da auditoria e da perícia tradicional. Enquanto essas áreas analisam fatos já ocorridos, a administração judicial exige o acompanhamento contínuo da empresa em recuperação, a fiscalização do cumprimento do plano aprovado e a interlocução entre devedores, credores, Ministério Público e Poder Judiciário.

Para Martonio, a contabilidade ocupa posição central em todas as etapas da recuperação judicial. É por meio das demonstrações contábeis e dos relatórios financeiros que magistrados e credores acompanham a situação econômico-financeira da empresa e verificam sua capacidade de cumprir o plano de recuperação.

"Sem dados contábeis confiáveis, o juiz e os credores ficam navegando no escuro. A contabilidade é o coração, é o termômetro do processo", afirmou.

Ao encerrar a entrevista, Martonio reforçou que a recuperação judicial representa um mercado em expansão para a classe contábil e incentivou os profissionais a investirem em qualificação para atuar nesse segmento.

"É um nicho de mercado excepcional. O profissional da contabilidade que estudar e mantiver um bom relacionamento com o Judiciário ocupará um espaço muito bom no mercado", finalizou.

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Julliene Nogueira / Comunicação CFC. Imagem: BPMoney